O que deu, deu.
Tem dias que a gente sabe que está no limite! Não é sobre cansaço físico ou mental, mas se fosse, qual seria o problema? Todo mundo tem limite! Todo mundo uma hora cansa, se aborrece e até precisa de ajuda.
Só cada um é quem sabe de fato o desafio que tem em mãos depois de acordar e levantar-se da cama. Ninguém fica sabendo o que realmente se passa no interior de ninguém. O pouco que se expõe já é o suficiente para julgamentos alheios.
Eu, até alguns dias atrás, ficava temeroso quanto a errar, quanto aos meus rendimentos ou à minha produtividade, se daria conta de afazeres pessoais, profissionais e estudantis. Batia uma insegurança... Depois tudo dava certo. Sempre foi assim, desde sempre. Mas me cansa.
Hoje percebo que me culpava muito. Inclusive, carregava para mim o que muitas vezes eram direcionamentos ou atribuições alheias. Fiz muito do meu e dos outros na escola, na universidade e até em ambientes de trabalho. Quantas vezes me vi fazendo sozinho coisas que eram em equipe? Tudo para não falhar! Para não ter nota baixa, para não ter reclamação. E porque sempre pensava no boleto para pagar. As pessoas diziam: "Você é assim porque é responsável". Não tem nada a ver. Mas eu não percebia. Era levado a crer que era bom no que fazia e recebia mais demandas. Hoje, ainda sou assim, mas quero desacelerar. Não porque muitos fazem e conseguem diluir suas obrigações. Isto não é sobre ser organizado ou ser cumpridor de prazo; é sobre ser dono de seu próprio limite e admitir que é ser humano.
Nos acertos, nos bons desempenhos e na pontualidade, dificilmente houve agradecimento ou reconhecimento. Na escola e na faculdade já diziam: "O próximo trabalho faço contigo!"
Atualmente, vejo e sei das minhas virtudes. Nunca busquei aplausos ou pódios. E agora não adianta ir atrás dos "obrigados" não recebidos, nem das promoções não tidas.
Crítica sempre existirá, principalmente de quem não vive em nossa pele e de quem tem dores, mas não compartilha. Mas minha fé é maior em enfrentar a ansiedade e encorajar-me para os "nãos" que precisarei dizer mais vezes para desacelerar, para ajustar meu tempo e para não carregar culpa alguma. O que deu, deu.

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